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Terminando a parte histórica de minha dissertação de mestrado, me
deparei com uma bela expressão do conceito do Shigeru Miyamoto para o
design de videogames. Ao explicar sua filosofia de criação, ele nos
brinda com a excelente frase: "Quando você desenha um rosto sorrindo,
seu rosto também deve estar sorrindo. Quando você desenha um rosto
bravo, seu rosto também deve estar bravo. O personagem captura sua
emoção. As emoções e diversão em um jogo não são feitos enquanto se
pensa em negócios." (The Ultimate History of Videogames, Steven L.
Kent, 2001)
Essa frase parece até certo ponto piegas, meio ingênua, mas é dessa maneira que Miyamoto revolucionou a linguagem do videogame nas duas últimas décadas. Ele nunca escondeu que muito do que coloca em seus jogos são suas ansiedades e frustrações, seus passeios enquanto criança e até sua frustração em nunca ter tido coragem de se tornar músico profissional (essa ele disse numa entrevista sobre o desenvolvimento de Wii Music.)
Seus jogos apresentam novos paradigmas porque ele não se limita às metodologias de criação estabelecidas, pensando sempre de maneira diferente como a tecnologia pode trabalhar para ele.
Steven Kent define bem essa postura de Miyamoto quando diz que "enquanto muitos designers aparecem com novidades tecnológicas, então construindo seus jogos ao redor delas, Miyamoto trabalha em criar cenários e paisagens expressivas, então cria maneiras de usar esse espaço."
Percebe? Miyamoto pensa primeiro em como criar expressividade com a estética empregada, com a linguagem visual, com o design. A partir desta expressividade trabalhar a jogabilidade e as interfaces parece mais natural, a própria carga "emocional" dos seus jogos parece ditar essa jogabilidade. Seus jogos não nascem da tecnologia, e sim da expressão. De dentro para fora.
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