Putz, to adorando esse post, as contribuições são o máximo.
Vamos inicialmente ao
Augusto Boal e ao seu
Teatro do Oprimido.Eu realmente tenho essa falha na minha educação Ivan, não gosto muito de teatro, meu negócio sempre foi montagem, edição, portanto cinema, mas admito a minha falha. Dentro desse aspecto, tenho de admitir que conheci a obra do Boal através dos
estudos em interfaces digitais.O livro da Brenda Laurel,
Computer as Theatre, traz o modelo da tragédia clássica (aristotélica), para os estudos em interfaces digitais interativas. Entretanto ele não é o único modelo do teatro, como o Gonzalo Frasca, orientando da Brenda Laurel, aponta, sugerindo que os modelos de Brecht e Boal seriam mais úteis, para as mídias interativas, por decorrerem de processos que necessitem da interação entre os atores e a platéia, que de certa maneira acaba tornando-se ator, e também co-autor da peça.
Pensando-se essa maneira, o teatro de Brecht e Boal estariam para as mídias digitais, inlcuindo-se os videogames, assim como o teatro aristotélico estaria para televisão.
Um dos problemas que eu vejo na obra do Frasca, que obviamente não desmerece o seu valor, é que o
Videogame do Oprimido, uma aplicação da conscientização do público, toma um rumo que me parece ser diferente do Teatro do Oprimido (pois eu nunca assisti, apenas li sobre ele), fica bastante engajado (politicamente dizendo) e o game cai em seu pior pesadelo: ele fica chato.
É claro que ser chato ou não pode variar de pessoa para pessoa, ou situação para situação, netão recomendo que joguem esses jogos políticos, como o
September 12th do Frasca, que tem mais de 100 mil acessos merecidos, e vejam por si mesmos.
Também não sei se a conscientização que o Boal e o Brecht propunham era essa coscientização política apenas. Eu creio que não, pode ser também da sua situação enquanto co-autores de uma obra que não é mais tão pré-determinada quanto antes.
Enfim, aonde eu quero chegar, é que acho que essa metáfora do Boal, ou do que eu entendo como sendo a obra dele, não me parece suficiente para falar de videogames. Talvez de mídias interativas sim, pois estas não tem o comprometimento com elementos de game design, como o fator de diversão (fun factor) ou fator de entretenimento, que os videogames tem, e que se revela como a grande força destes: o inconsciente desarmado. Mas isso vai gerar uma outra grande discussão...
Completando os super links que o Ivan enviou:
Artigo do Frasca [pdf], aonde ele explica as bases da tese dele, em bem menos páginas:
Rethinking Agency and Immersion: videogames as a means of consciousness-raising.Capítulo gratuito do New Media Reader [pdf], um dos livros básicos dos estudos em novas mídias, que é bem próximo ao capítulo 2 do Computer as Theatre, da própria Brenda Laurel:
Two Selections by Brenda Laurel: The Six Elements and the Causal Relations Among Them; Star Raiders: Dramatic Interaction in a Small World.O livro da Brenda Laurel pode ser visto em nossa seção de livros, categoria
afins, por não estar diretamente relacionado à games, e sim às novas mídias.
Post edited by: clauklein, at: 2006/12/15 03:13