O mercado brasileiro de jogos eletrônicos cresce a cada ano e é acompanhado pela oferta crescente de cursos de graduação e de pós-graduação para quem quer se especializar no segmento. Um exemplo é a pós em Simuladores e Jogos Digitais oferecida pela PUC-SP.
Por Maria Clara Pitol
Quando pensamos em games, simuladores e jogos digitais, logo associamos a diversão, entretenimento, lazer de crianças e adolescentes. Quase nunca nos lembramos de que há muito estudo, tecnologia e uma estrutura industrial por trás desse passa-tempo eletrônico.
Pois a indústria nacional de games, embora ainda bastante jovem, já está virando coisa de gente grande. O país conta atualmente com mais de 50 empresas desenvolvedoras de jogos eletrônicos e quase duas dezenas de cursos de graduação e de pós-graduação voltados para quem quer se capacitar e se especializar para atuar no segmento.
A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) é uma das instituições que oferecem graduação e, desde 2007, curso de pós-graduação em Simuladores e Jogos Digitais.
Rogério Correia Tavares, doutor em videogames, editor da comunidade Gamecultura, na internet, e professor da pós, conta que a idéia do curso partiu do grupo de estudos em comunicação e semiótica da PUC, o "CS:Games".
O grupo, segundo ele, identificou uma lacuna no mercado no que diz respeito à especialização de profissionais de diferentes formações na aplicação da linguagem muito particular dos games.
"Levamos mais de um ano pesquisando e escrevendo o projeto, que foi coordenado desde o princípio pelo Sérgio Nesteriuk Gallo, sob a orientação da professora Lucia Santaella", diz Tavares, para quem os games não têm a função única de divertir.
"O objetivo desse curso não é formar programadores de games, mas sim mostrar a profissionais de educação, publicidade, psicologia, artes e outros setores que eles podem utilizar o simulador ou o game como uma eficiente ferramenta de comunicação, de ensino, de treinamento, de venda, de aprendizado e de expressão para além do entretenimento", explica Tavares.
"Ao compreender a importância, as funções e as aplicações de games e simuladores, os participantes serão capazes de formatar produtos dentro de sua área de formação ou atuação profissional", conclui o especialista.
A pós-graduação em Simuladores e Jogos Digitais da PUC-SP tem carga horária total de 420 horas, distribuídas em quatro módulos. Três deles de 90 horas cada e um módulo de 60 horas dedicadas à orientação de monografia.
As aulas abordam a cultura e a evolução tecnológica, tendo como referência o jogo e sua relação com a sociedade, os elementos e as dinâmicas da produção de simuladores e games, seu uso e aplicações nos mais diversos campos, como diversão, treinamento e ensino, e as temáticas emergentes em torno deles.
O curso é dirigido a graduados e profissionais de diversas áreas que tenham interesse em se especializar nesse mercado promissor. "Ele é procurado por pessoas em cargos de gerência e coordenação, que possam se beneficiar do conhecimento que o curso pode trazer às suas empresas", explica Tavares.
Para o professor, o mais importante para os jovens que pretendem trabalhar na área de games é estudar e se aprofundar no assunto.
"Tem muita gente que acha que o trabalhador de games não precisa estudar. Eu sou absolutamente contra essa idéia que, além de produzir um trabalhador fraco, que só sabe copiar idéias dos outros, faz um mercado medíocre, que demora anos para criar coisas novas. O trabalhador de games e das indústrias criativas tem de estudar, ler e jogar muito".
E acrescenta: "As indústrias criativas têm crescido em todo o mundo, e isso inclui o Brasil. Eu, particularmente, gosto de ver o Brasil se desenvolvendo nessa área de jogos sérios, os 'serious games', que não têm como finalidade a diversão pura e simples, e assim nós não temos de concorrer com Hollywood e seus games cinematográficos".