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Para
as crianças, o lazer e a brincadeira (ou o jogo) tornam-se, na prática,
uma única atividade que, bem dirigida, atenderá a objetivos educativos.
Os
teóricos do assunto costumam dividir as brincadeiras infantis em três
tipos: fisiológico, psicológico e biológico. As teóricas biológicas
entendem o lazer, em forma de brincadeiras, como o exercício dos
instintos necessários à sobrevivência (um exemplo simples seria o das
"lutas" dos pequenos felinos que seriam na realidade uma preparação
indispensável para a vida adulta), ou como recapitulações dos estágios
da evolução humana. As teorias fisiológicas defendem a idéia de que é
através dos jogos que as crianças gastam as energias excedentes. As
psicológicas consideram a atividade do jogo infantil como uma forma de
catarse onde os conflitos vêm à tona mas são sublimados. Freud
acreditava que essa atividade reproduzia acontecimentos desagradáveis
que seriam modificados (comandados) de acordo com a vontade da criança.
Por exemplo: brincando de "professora e aluna" duas meninas podem
corrigir uma ação, realizada pela professora real, considerada por elas
como injusta.
Para
Piaget a brincadeira é um processo de assimilação espontâneo sendo que,
através dela a criança manipula e integra regras da sociedade.
O
jogo infantil pode ocorrer de forma espontânea ou induzida (e
controlada) pelo adulto ou o educador. A primeira forma pode, em alguns
momentos, resultar em sofrimento e frustrações para as crianças (como
no caso onde uma criança menor é maltratada por outra maior).
A
ligação entre a música e o jogo é muito forte, tanto que, em diversos
idiomas a execução dos instrumentos musicais tem o mesmo significado de
"jogo". Os exemplos mais conhecidos seriam os da língua francesa ( jouer = tocar, jogar, brincar, mover-se, divertir-se, etc.) e do inglês ( play = tocar, jogar, brincar, obra, peça, etc.) mas o mesmo também ocorre com a língua árabe e outras línguas eslavas e germânicas.
Refletindo
sobre a semelhança entre a música e o jogo, já afirmava Aristóteles: -
"Não é fácil determinar a natureza da música, assim como o proveito que
tiramos de seu conhecimento. Talvez seja por causa do jogo e da
recreação que desejamos a música tal como desejamos dormir e beber, que
também não são em si mesmos coisas importantes ou sérias mas agradáveis
e capazes de afastar as preocupações... ... deveríamos
dizer que a música conduz à virtude na medida em que, tal como a
ginástica, é capaz de exercitar o corpo, alimenta uma certa ética e nos
permite gozar as coisas de maneira adequada? Ou por último, não
contribuirá ela para a recreação mental e para a aquisição de
conhecimentos?"
Falando-se
um pouco sobre educação musical e educação em geral, observamos que uma
forma eficiente de se introduzir novos conceitos às crianças é por meio
dos jogos. Estes atendem às suas necessidades lúdicas mantendo-as
motivadas e proporcionando algum tipo de vivência física e intelectual.
Os jogos podem ser usados também como reforço de aprendizagem, no
decorrer das aulas ou como atividades extra curriculares.
Adolescentes
e adultos têm necessidade de recrearem-se da mesma forma que as
crianças, com a diferença de que os jogos deverão apresentar propostas
menos inocentes. No caso do adolescente em particular, estes devem
encontrar, nos jogos, desafios intelectuais e alguma competição. Nos
dias atuais, infelizmente, é raro vermos os jovens dedicarem-se a jogos
como "xadrez" e "dama", conhecidos como ideais para o treinamento da
atenção e raciocínio. Entretanto, felizmente, uma outra forma de jogo
está substituindo os tradicionais, com sucesso, graças a maior
interação e participação daqueles que o praticam. Referimo-nos aos
"games", RPG, jogos digitais que possuindo regras que geralmente são
colocadas gradativamente, no decorrer do processo, apresentam destinos
variáveis e com uma participação mais ativa. Consideramos importante,
para o enriquecimento da didática musical, trazer esses jogos para a
nossa área (devidamente adaptados ou idealizados) como mais uma técnica
de ensino, altamente motivadora e com possibilidades de profundas
imersões psicológicas.
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