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Todo ano a aclamadíssima G.A.N.G. (Game Audio Networking
Guild), uma organização destinada a unir e ajudar os VGcomposers, fundada pelo grandioso compositor e também criador do
Video Games Live, Tommy Tallarico, faz uma premiação de diversas
categorias relacionadas à música e efeitos sonoros do mundo dos games.
O G.A.N.G. Awards já se
tornou um evento importantíssimo para a VGmusic
e todo ano em março é aguardada com muita curiosidade a votação dos jurados. O
ano de 2006, porém, não nos deu muita diversidade nos vencedores. Com a fúria
característica de sua aventura épica, God Of War, acabou com a festa dos
outros nomeados, levando nada menos que sete prêmios! São eles em grande
maioria os mais desejados, como “música do ano”, “sound design do ano” e “áudio
do ano”. Os restantes “melhor trilha interativa”, “melhor diálogo”, “melhor
áudio cinematográfico” e “melhor gravação de performance ao vivo” também não
deixam dúvida de que as diversas áreas relacionadas ao som em God Of War
estiveram muito além de seus concorrentes.
Tal sucesso merece uma boa análise para constatar se o mundo
sonoro de God Of War é realmente tudo o que os jurados da G.A.N.G. garantem
ser. Veremos portanto o que a trilha sonora deste lançamento da Sony para
Playstation 2 nos oferece.
Antes de mais nada, porém, é imprescindível descrever o
mundo fantástico e grandioso em que Kratos,
o personagem principal de God Of War luta, enfurecido, em nome dos deuses.
A melhor forma de adjetivar essa versão distópica do mundo
mitológico grego é escura e violenta. Como exemplo temos os monstros presentes
nos mitos helenos, como a hidra e o ciclope, que são representados numa
escala realmente gigantesca e amedrontadora. Do mesmo tamanho descomunal são os
cenários de God of War, tanto catastróficos como lindos e bem pensados. É nesse
mundo épico ao extremo em que o herói espartano Kratos, o über-guerreiro, um campeão quase que
divino como o Aquiles do poeta grego Homero, precisa fazer a vontade dos deuses
para se livrar dos demônios que atormentam sua mente. E da mesma forma que
Homero recebeu sua inspiração para seu épico Ilíada, o criador de God Of War,
David Jaffe, deve ter invocado às mesmas musas, dizendo: “Canta-me a Coléra – ó
deusa! – funesta de Kratos” para
criar um mundo e um personagem tão geniais.
É claro que para um jogo dessas dimensões é necessário criar
um fundo musical bombástico páreo às imagens de tirar o fôlego. E essa tarefa
árdua mas certamente empolgante foi dada logo a cinco compositores: Gerard
Marino, Winifred Philips, Mike Reagan, Cris Velasco e Ron Fish.
Contratar mais que uma pessoa para escrever a trilha sonora
de um jogo ou também de um filme nem sempre dá bons resultados. Às vezes o som de
um artista difere muito do outro e deixa a obra confusa. Mas nada disso é
notado na música de God Of War. A trilha do jogo é muito sólida, deixando claro
que o grupo responsável pela musicalização fez um bom trabalho de equipe.
Grande parte da VGmusic
em God Of War foi escrita por Gerard Marino, o que é visível no lançamento em
cd da trilha do game. Mesmo
assim, apesar de ser citada como compositora de apenas quatro das trinta e uma
faixas do álbum, Winifred Philips fez a maioria dos temas do jogo, mas
infelizmente muitos não foram adicionados ao soundtrack. Um deles, o canto sedutor e venenoso da sirene, que atrai todo homem a seu lar
para ser devorado, pode ser ouvido parcialmente no começo e fim desse trailer.
É a própria compositora que dá a sua voz a essa terrível criatura,
utilizando-se de sua formação clássica de vocal.
A grande qualidade de Philips no canto também é presente
numa grande peculiaridade dessa trilha sonora: Todos os corais audíveis durante
God Of War foram feitos com sua voz! Isso quer dizer que o elenco de dezesseis
cantores é na verdade apenas uma pessoa, capaz de entoar melodias para o
soprano tanto como para o alto, tenor e até para o baixo. Somente seu gênero
impediu Winifred Philips de gravar todas vozes sem alteração, sendo assim
forçada a mexer um pouco no baixo para alcançar tons realmente graves demais
para seu timbre feminino. Como o ouvido humano é muito sensível à voz a
compositora teve receio de trabalhar em cima dela, mas as modificações feitas
não são perceptíveis na trilha sonora.
Uma melodia simples e cativante, que Winifred Philips canta com
suas dezesseis vozes em várias faixas de God Of War, representa um elemento
importante na história da criação do game.
Não a melodia por si, mas as palavras poderosas que o coral pronuncia durante a
interpretação dela. São elas o ditado “Deus enlouquece primeiro aqueles a quem
quer destruir”, do poeta Eurípedes, cantadas em grego arcaico e utilizadas como
idéia-chave para a trama do jogo. As palavras do pensador também puderam ser
lidas como slogan da Sony para seu adventure
durante a promoção do jogo na feira E3.
Outra melodia, o tema principal exótico de God Of War, muito
bem apresentada na faixa “The Vengeful Spartan” da trilha sonora, é monumental
e repetida excessivamente em toda sua glória durante o game. Este talvez seja o único ponto fraco da música; o tema de Kratos aparece muito e às vezes cansa um
pouco. Mas como Aquiles com seu calcanhar vulnerável nada é perfeito e esse
detalhe não afeta a grandeza do conjunto.
Tirando o vocal, a trilha sonora para o jogo da Sony é
inteiramente virtual. Os instrumentos orquestrais, as percussões tribais e os
sons tipicamente mediterrâneos são todos pertences a soft synths, ou seja, sintetizadores de computador. Como os
programas são de altíssima qualidade e reúnem sons de instrumentos reais é
difícil notar a diferença da música de God Of War para qualquer trilha de blockbuster gravada ao vivo com uma
orquestra de nível hollywoodiano.
Apenas os trompetes em “Ares Destroys Athens”, a sétima faixa do álbum do jogo
soam um pouco artificiais.
A maioria dos temas de God Of War são pulsantes e
militarísticos. Quase não há um descanso para o jogador e logo ele se sente na
pele de Kratos, vivendo um evento
épico após outro para conseguir alcançar a sua tão desejada paz. Bons exemplos
dessas peças fortes são “Mind The Cyclops”, “Athens Rooftops Fighting”, e
principalmente “Minotaur Boss Battle”, as faixas oito, onze e vinte e quatro do
soundtrack, respectivamente. Poucos
momentos de calma musical também podem ser achados nessa VGmusic, como na quinta faixa, a “The Splendor Of Athens”, com seu
ritmo quebrado viajante, e na faixa dez, a angustiante “Exploring the ruins”.
Toda orquestração feita pelos compositores de God Of War é
excelente, de um nível igualmente alto ao do equipamento usado para a criação
da música. Talvez as peças como “The Splendor Of Athens” e “Zeus' Wrath Devine” sejam
ainda mais interessantes na sua estrutura por serem menos influenciadas pelos
truques de Hollywood usados para
aproximar a música oriental à ocidental.
Considerando, portanto, a qualidade da gravação, da
composição e do impacto no jogo da obra em grupo de Gerard Marino,
Winifred Philips, Mike Reagan, Cris Velasco e Ron Fish podemos certamente afirmar que a trilha sonora de God Of War merece todo
o reconhecimento que recebeu desde seu lançamento. E ainda mais, gera o desejo de podermos ouvir cada vez mais música de
nível comparável no mundo moderno da VGmusic.
Onde comprar?
A trilha sonora do jogo só pode ser comprada pela Sony Direct Connect, a 0,99 dólares cada música, ou U$ 9,90 o álbum completo. Não tem frete por ser download. No Direct Connect você pode também ouvir as músicas.
Você pode comprar o jogo God of War
(2005) pela Amazon a partir de 12 dólares, mais o frete, o que deve dar
perto de uns 50 Reais, ou então por 99 reais, em alguma loja brasileira. Comprando pela Amazon através deste link você estára ajudando a Comunidade Gamecultura a manter seus custos de manutenção.
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