19-Nov-2008

Online

Profissionais


Advertisement
Jogos refazem a história PDF Imprimir E-mail
(17 votes)
Escrito por Edson do Prado Pfutzenreuter   
28-Mai-2007
Digg!

Del.icio.us!

Google!

Live!

Technorati!

Blogmarks!

Yahoo!
Games e história são duas palavras que, postas lado a lado exigem um conectivo. Sabe-se que esse tema não abrange os jogos que entraram para a história, como Space Invaders ou Pac Man, também não se trata da história como cenário para jogos, mas de games que incorporam a idéia de história em sua própria estrutura.

Na verdade essas reflexões não investigam os games como fenômeno de linguagem, apesar de a base conceitual da semiótica estar aqui presente e permitirem mas apresentam a hipótese de que esses videogames recuperam a história como experiência mítica.

A pesquisa histórica procura construir um entendimento sobre alguém, lugar uma época ou um fato e resulta em um texto, uma forma de narrativa, que busca se aproximar daquilo que quer representar e, para isso toma por base quaisquer tipo de documentos que possam comprovar as hipóteses levantadas pelo historiador sobre o fato estudado.

Nesse sentido a história se opõe à narrativa mítica que, embora procure explicar acontecimentos, não tem base em dados documentais. Por outro lado a própria narrativa mítica pode servir como documento na pesquisa histórica, desde que filtrada através das diversas diversos procedimentos metodológicos que essa área de estudo dispõe.

É importante reparar que os interesses dessa ciência mudam no decorrer do tempo, o que demonstra que existe uma história da história. Se houve momentos em que a investigação priorizava os grandes personagens, também houve o momento de encarar a história dos grandes processos, econômicos ou revolucionários.

Atualmente vemos uma preocupação em entender a forma de organização social nas diferentes épocas. A história deixa de ser narrada com relação às ações dos reis e estadistas, ou do poder econômico e das tendencias revolucionarias, e passa a se preocupar em como esses fatores estavam presentes na vida cotidiana.
É interessante verificar os estudos históricos como signos que tentam se aproximar de seu objeto: uma época, uma revolução, a vida de uma pessoa, etc. Sempre será uma tentativa pois o signo nunca é o objeto, mas uma representação.

O signo produz uma reação e geral algo, seja um pensamento, uma ação ou uma sensação. Isso é o interpretante, a operação lógica na qual algo surge em resposta ao signo. Esse interpretante é parte do signo e ele mesmo é um signo, ao representar algo e produzir outro interpretante. Esse é o mecanismo da semiose que foi abordado resumidamente no primeiro artigo dessa coluna. Um fato importante é que na geração de signos existe um processo de auto-correção que busca aproximar o signo de seu objeto.

A pesquisa histórica, vista como uma semiose, busca aproximar de seu objeto através de um processo de geração de signos feitos com base em outras interpretações, novos fatos descobertos, novas maneiras de ver os fatos antigos, etc.
A exposição dessa maneira de compreender a história tem a função de apontar alguns elementos presentes nos jogos que trabalham temas históricos.

Se a história, ao tentar recuperar fatos muito antigos, depende da narrativa mitológica, games como a série Age of ... (Empires, Kings, Mythology) etc, Rome Total War, Gates of Troy, Pirates e também Civilization, partem do conhecimento histórico e retornam ao mito.

Ao procurarmos jogos que lidam com o tema história, quase sempre os encontramos na sessão de jogos de estratégia, e em geral tem relação com a guerra. Esse fato não é difícil de ser entendido. O jogo envolve competitividade, condições de vitória e desafio e a guerra também envolve tudo isso. Aliás, a idéia de fazer jogos com base em guerras é já bastante antiga e muitos jogos de tabuleiro as utilizam como tema.

O que vemos, entretanto é que não é somente esse tipo de jogo que permite a abordagem de temas relacionados com a história:

Civilization trabalha não apenas a história de Roma ou das guerras napoleônicas, mas o processo de jogar histórico colabora para criar uma idéia mudança, um princípio de consciência histórica. Isso fica evidente quando você quer uma arma de bronze e sabe que sua civilização ainda não desenvolveu conhecimento s científicos que permitam isso.

O SimCity não pode ser considerado um jogo de história, mas o fato de ocorrerem coisas no tempo e que algumas ocorrências dependem das ações prévias do jogador, permite a despertar a percepção de fatores que colaboram para as mudanças, ou seja, para a história.

Mesmo em um RPG com tema histórico, apesar de normalmente conter muita fantasia, é possível imaginar o que seria a vida naquela época e, ao mesmo tempo, vivenciar uma jornada heróica.

O objeto da história é o passado, algo que existiu e que somente pode ser recuperado, como conhecimento histórico, a partir de investigações e interpretações. O historiador diante de um novo fato, ou de uma maneira nova de ver algo, esta diante de um campo de possibilidades interpretativas.

O video game de história, partido conhecimento histórico acumulado, oferece o passado como um campo de possibilidades não para a explicação, mas para a vivência do que poderia ter acontecido. Não se trata de uma brincadeira de faz de conta, mas da possibilidade de imaginar futuros possíveis. 

O jogador que tem a possibilidade de ser um estrategista Roma antiga, fazendo uma preparação para guerras, não tem a possibilidade de mudar a história tal como aconteceu, mas cria outra.
Ele é colocado no centro da história e ao vivencias os papeis oferecidos ele recupera a história como mitologia na qual ele pode ser deus ou herói mitologico.

Parafraseando o manuscrito apresentado pelo estudioso de literatura chinesa no conto de Borges, os jogos de história oferecem vários futuros àqueles que caminharem por suas veredas.


Edson do Prado Pfützenreuter é doutor em Comunicação e Semiótica, professor da Unicamp e do Centro Universitário Senac, e coordenador do GP:games, Grupo de Pesquisa em Games do Centro Universitário Senac.

 

 





Artigos relacionados:

Links relacionados:




Clique aqui para compartilhar este texto
Reddit!Facebook!Slashdot!Spurl!Newsvine!Furl!BlogMemes!FeedMeLinks!Free social bookmarking plugins and extensions for Joomla! websites!
Trackback(0)
Comentários (0)Add Comment

Escreva seu Comentário
Você precisa estar logado para postar um comentario. Por favor registre-se se caso não tenha uma conta

busy
Atualizado em ( 04-Jul-2007 )
 
< Anterior   Seguinte >
Você joga Advergames?