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Falar sobre jogos independentes
geralmente traz à mente o estereótipo do "alternativo".
Não é só com os jogos que isso acontece, mas
também na música. A "indie music", mais conhecida pelo seu
"indie rock", é um desses exemplos. O indie rock é
menos comum na rede popular e comercial da música. Mas isso significa que ele
seja alternativo?
Não, geralmente apenas independente. É
normal ver pessoas confundindo o independente com o alternativo, mas
é porque um elemento leva ao outro que ocorre a confusão.
O mesmo se dá com a veia independente dos filmes. Vejamos
porque nessa breve introdução.
Se
você é um fã de videogame, há
grandes chances de você ser um fã da conhecida
"mainstream". Em outras palavras, você provavelmente tem
mais contato com a rede popular e comercial de jogos, que é a
principal. Jogos como Sonic e Super Mario Bros, filhos
respectivamente da Sega e da Nintendo, foram marcos para a história
do videogame. Cada um desses jogos, sem contar com as
próprias séries que originaram, vendeu mais de quatro
milhões de cópias e consagrou suas respectivas
empresas. A lista de jogos de sucesso, das grandes empresas, não
tem fim e abrange desde os clássicos (como Legend of Zelda,
Myst e Starcraft) até feitos mais recentes (como Splinter
Cell, The Sims, GTA e Halo). Todos esses sucessos faturando no mínimo
um milhão de cópias vendidas e mostrando que os
gigantes industriais sabem fazer bons jogos que nos agradam.
Em
razão de todo esses sucesso é que as empresas, seja de
qualquer mercado, continuam fazendo o que uma empresa sempre busca
fazer: lucrar. Já os jogos independentes não precisam
ser feitos por empresas. As equipes podem variar desde um único
desenvolvedor até uma equipe de 10 amigos ou uma pequena
empresa. As equipes não visam o lucro necessariamente (apesar
de sempre ser bem-vindo), pois estas equipes independentes podem estar simplesmente atrás
de uma experiência personalizada como as modificações, MODs de seus jogos preferidos, ficaren
conhecidas, aprender ou produzir um portfolio para mais tarde serem empregados.
Por
causa desse "descompromisso" com o lucro, os jogos independentes
geralmente não têm recursos para serem exibidos nas
prateleiras ao lado das novidades mais recentes da EA. Quando não
são distribuídos de graça pela internet, são
vendidos por um preço abaixo do padrão comercial e não
contam com o apoio de uma grande distribuidora, ou publicadora (publisher). Exatamente ai é
que se dá o elemento chave dos jogos independentes: inovação.
Porque os jogos independentes sabem que não têm como
competir com os gigantes em termos de orçamento e produção
(incluindo gráficos), eles seguem outras vias e geralmente
atraem jogadores por seus elementos inovadores ou design criativo.
Isso não significa que eles devem proporcionar uma experiência
nunca vista antes porque podem também trazer de volta um
estilo de jogo há muito tempo já esquecido. Seja porque
alguém quer jogar uma nova versão
de Pong ou
então porque quer fazer coisas que o Gordon
Freeman nunca conseguiria.
A importância dos jogos
independentes.
Essa inovação ou liberdade de arriscar
permite que muitos jogos independentes preparem terreno para futuros
jogos comerciais. Um exemplo inegável é o do
Counter-Strike, vulgo, CS. Inicialmente desenvolvido como um Mod para
o Half-Life, além de alavancar as vendas do jogo original,
mais tarde foi comprado e ganhou edições comerciais.
Hoje em dia o Counter-Strike é comercializado pela Valve,
desenvolvedora do Half-Life, e atualmente já se encontra na
sua versão Source, que acompanha a engine criada para o
Half-Life 2
.
Se não fosse pelo CS, Half-Life deixaria de ter
feito grande parte do sucesso que fez. Ao passo que a Valve
reconheceu a importância dos jogos independentes e sabiamente
aproveitou para lucrar com eles, a desenvolvedora lançou o
Steam, software de distribuição digital de jogos. Hoje
em dia ela distribui jogos independentes pelo mesmo software que te
permite comprar uma cópia de Half-Life 2, online com apenas
alguns cliques (e um número de cartão de crédito válido no exterior).
Não é a toa que comumente podemos encontrar jogos que
são comercializados com editores que permitem a modificação
do jogo original.
Apesar da "cooperação"
mencionada, o mais comum é vermos uma distinção
bem clara da empresa grande para a independente. Do lado dos gigantes
temos um recurso largamente utilizado: as seqüências.
Sejam elas diretas ou "espirituais", seqüências
representam quase que lucro garantido para as grandes empresas. Seja
porque pessoas querem ver o que vai acontecer com Kratos na sua
segunda aventura ou porque se sentem tentados a novamente atropelar
as pessoas pelas ruas de uma cidade.
A estratégia da seqüência
limita de certa forma as grandes empresas ao caminho do jogo
pré-establecido enquanto os independentes são
associados a um caráter revolucionário. Essa associação
resulta na falácia do "alternativo". Porque geralmente
temos mais contato com jogos comerciais, batizamos jogos
independentes de alternativos, quando na realidade isso não é
regra.
Acompanhe a coluna para ficar
sabendo o que mais o mundo dos jogos independentes tem a oferecer.
Participe da coluna no fórum, enviando mensagens para o autor,
recomendando modificações ou jogos completos e você
verá que existe um mundo a parte.
| Jogos recomendados nessa matéria:
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Arthur Protasio é estudante de Direito na Puc-Rio, como um fanático por jogos, tem objetivo de trabalhar com eles, seja fazendo o design ou os analisando.
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