Não
sei se alguns de vocês lembram, mas
eu tinha prometido falar de Gears of War
aqui nesta coluna. Sempre com notas altíssimas em todos sites
de review, desde o seu lançamento (em 2006), para Xbox360.
Eis
então que eu, em Porto Alegre (enquanto estava
na SBGAMES), entro em uma loja eletrônica, e, para minha
surpresa, lá estava ele. Nem pensei; comprei na mesma hora.
Vários
dias depois, chega meu tão aguardado jogo a minha casa. Logo
depois da longuíssima hora de instalação (sim, o
jogo demora uma hora pra instalar) eu começo a jogar. Aliás,
começo a tentar jogar.
Então
meu pesadelo começou. E para meu infortúnio, não
foi com os alienígenas Locust
do jogo.
Gears
of war, desenvolvido pela Epic Games,
foi portado para PC pela People Can Fly.
Como o jogo é distribuído pela Microsoft Game Studios,
o modo multiplayer
ficou sendo administrado pela Windows
Live. A Live,
para quem não conhece, é um portal feito para os
jogadores de XBOX360 jogarem online, baixarem demos, conversarem e,
além disso, possuem diversas outras "vantagens".
Logo,
nada mais natural que eles fazerem a Windows Live,
rede que seria exatamente igual para os jogadores Windows.
Então,
querendo jogar online, fui me cadastrar na Live.
Abriu-se meu navegador, preenchi as várias perguntas inúteis,
e, assim que me cadastrei, voltei para o jogo cheio de vontade de
matar uns gringos (e também cheio de vontade de dormir, pois
a essa altura já era muito tarde).
E
para minha surpresa, ao pedir meu CD-Key,
eu apertava "submit" e nada acontecia. Não tinha sentido
isso. Eu pensei até que meu CD-Key
estava errado, ou já estava sendo usado. Frustrado, decidi
apenas olhar um pouco do single player.
Ah!
Detalhe: para jogar multiplayer,
você tem que criar um perfil. Este perfil pode ser local ou na
Live, mas
mesmo que seja local, ele é usado como se fosse cadastrado na
Live. Essa
criação de perfil local também não estava
funcionando.
No
dia seguinte, nada de conseguir cadastrar meu CD-Key.
Consegui, ao menos, criar meu perfil local. Animado, joguei por umas
três horas seguidas e decidi tentar jogar online mais uma vez.
Para isso, saí do jogo, tentei fazer tudo de novo, e acabei
desistindo. Resolvi jogar mais um pouco antes de dormir, e,
adivinhem: meu save
estava perdido.
Minha
primeira reação, logicamente depois de ter ficado
extremamente nervoso, foi procurar algum fórum. Para minha
surpresa, achei facilmente o fórum oficial, e, para meu
espanto, diversas pessoas estavam reclamando dos mesmos erros. Muitas
mesmo. Ninguém estava conseguindo jogar.
Para
falar a verdade, eu fui até sortudo, pois a grande parte das
pessoas não conseguia nem entrar no jogo. Dá para
imaginar?
Ou
seja, eles pegaram um jogo fantástico, e, por detalhes
puramente técnicos, frustraram milhares de consumidores.
Procurei
patches,
falei até com o pessoal da Epic, mas nada resolveu. Com muito
pesar no coração, devolvi o jogo.
Então,
semana passada, o grande Roger me emprestou o jogo que eu queria
fazer o review
deste mês, Viva Piñata.
Estava
hiper animado, pois queria jogá-lo há um tempo. Mas, ao
ler a capa, já me deparei com o aviso: "Games for Windows
Live".
Já entrei em pânico. Eu sabia que ia ser a mesma coisa,
a mesma ladainha, os mesmos bugs,
a mesma irritação.
E não
é que eu estava certo?
O
jogo, depois de instalar, sequer abria. Depois de algumas
configurações no Windows, consegui entrar. E,
novamente, tive que fazer o meu perfil.
Adivinhem
só? Não consegui criá-lo novamente. Dizia que
meu disco estava cheio. Obviamente o save
não ocupava mais de 10 gigas, então este não era
o problema.
Instalei
novamente, e nada de funcionar.
Deixa-me
ver se entendi. Duas empresas diferentes passam seus jogos de XBOX360
para Windows, e acontece a mesma coisa com os dois?
O
pior: deixaram que isso fosse distribuído mundialmente. Claro
que você pode pensar: "mas Martin, o problema é do seu
computador". Não, não é. Lendo o fórum
dos dois jogos, todos estão tendo problemas. Se não é
problema em entrar, é problema em salvar, o que também
é relacionado a Live.
Mas,
pelo menos neste jogo, o final foi mais feliz: tive a maravilhosa
idéia de criar outro perfil no
Windows, e isso fez com que eu conseguisse jogar. Mas o medo de
perder meus saves
está aí. Tenho até receio de jogar muito e
depois me desapontar.
Após
esse desabafo, vamos as piñatas!
   
Viva!
O
jogo Viva Piñata está sendo
vendido no Brasil na categoria infantil. Este jogo tem gráficos
hiper coloridos, temas realmente infantis como cupido, cuidar de
bichinhos, mas não se engane, a dificuldade do jogo não
tem nada de infantil.
A
idéia é simples: você
precisa cuidar de uma fazenda na ilha das piñatas. Você
pode assentar terra com uma pá, plantar flores e frutos com
sementes, e regá-las com um regador.
Na
ilha onde você mora, tem alguns "comerciantes". Um deles é
responsável por construir coisas, outro é médico,
outro vende itens, outro é responsável por trocar
mensagens na Live
(eca), outro que te dá sementes e tem até um que é
um tipo de caçador.
Até
aí, simples.
Fazendo
algumas coisas, aparecem piñatas selvagens. Por exemplo, assim
que você assenta uma boa parte da terra de sua fazenda, você
"atrai" uma Whirl,
piñata parecida com uma minhoca.
Dependendo
de alguns poucos fatores, ela eventualmente gosta da sua fazenda.
Assim, ela passa a ficar colorida. A animação
dela colorindo é algo simplesmente fantástico.
Logo,
aparecem outras piñatas: em forma de coelho, em forma de
abelha, de raposa, de borboleta, cavalo, e muitas e muitas outras.
Simples,
certo? Errado. O jogo
começa a ficar complexo.
Há
um sistema de romance, onde certos requerimentos
precisam ser cumpridos para que você possa "cruzar" duas
piñatas. Por ser um jogo com temas infantis, não há
distinção entre masculino ou feminino. São,
simplesmente, piñatas. Quando elas cruzam, em suas "casinhas",
há uma cena de dança. O que é realmente legal,
pois é uma dança diferente para cada tipo de pinãta.
Para os coelhinhos, por exemplo, acontece uma dança celta.
Para os passarinhos, um tango. É super divertido de ver.
Há
também o sistema de requisitos para que as piñatas se
mudem para seu jardim. Há também o sistema de árvores
que crescem, de plantas que precisam ser regadas, de casas a serem
construídas para suas piñatas se procriarem,
as piñatas ficam doentes, você não pode ter
excesso de piñatas, você precisa que elas fiquem
felizes, algumas brigam, algumas precisam comer alimentos diferentes,
você precisa se preocupar com invasores... ufa!
Como
alguém me fala que esse jogo tem como foco exclusivo o público
infantil?
Eu
duvido que meu priminho de oito anos consiga tocar pra frente, com
eficiência, uma fazenda.
Sério
mesmo. Quando começa ter muitas piñatas, elas brigam.
Você precisa tomar várias e várias decisões.
Decisões difíceis. Você precisa que algumas delas
morram para que você consiga trazer outras para a fazenda. Você
precisa vender algumas para ter dinheiro, mas sempre pensando que
elas podem dar filhotes, também valiosos. Mas para elas
procriarem, você precisa geralmente cumprir requisitos, muitas
vezes caros.
Não
é fácil. Ainda mais com alguns bugs
extremamente chatos.
Graficamente
falando
Já
dei uma boa noção do jogo. Se alguém aqui já
conhecia o jogo e achava que ele era muito fácil
ou muito infantil, talvez tenha até repensado (eu espero) e
tenha até pensado em desembolsar uma graninha.
Mas
saiba que o jogo é exigente.
Graficamente
falando, ele é bem exigente. Suas cores, talvez a maior fonte
de preconceito contra esse grande título, exigem cada bit de
memória da sua placa de vídeo. Como todas as piñatas
são renderizadas (exibidas na tela) toda hora, ou seja, a
placa de vídeo precisa computar exatamente as cores que as
piñatas vão ter, levando em conta a distância da
câmera, das luzes, computando-as várias vezes por
segundo, o jogo fica pesado. Se você somar isso ao sistema de
sombra extremamente eficaz , sem contar em computar a inteligência
artificial de cada um deles, temos um jogo que utilizará todo
o poder de seu processador, tanto do gráfico quanto o do seu
computador.
Claro
que não é nenhum Crysis,
mas aposto que fazer as cores das piñatas e seu "Fur"
(efeito de pêlos) que você pode ver em todas as
fotos que eu já mostrei, não foi tarefa fácil.
Em
questões sonoras, o jogo não
é nada de mais. Há locução, o que aumenta
um pouco a interatividade do jogo. Mas claro que para quem sabe
inglês. Fora isso, os sons das piñatas são até
meio chatos e repetitivos. O jogo não tem músicas
rolando, a maior parte do tempo. Um jogo desses poderia ter muito
mais interatividade se tivesse sons mais legais.
Defeitos
Fora
os erros já mencionados, as pessoas que de fato conseguirem
instalar e jogar Viva Piñata ainda
vão ter que se deparar com alguns erros.
Alguns
desses erros são culpa,
provavelmente, do port
(port folio???) mal
feito. Outros, creio eu, são até de conceito.
Por
exemplo. No jogo aparecem diversos avisos no canto inferior direito.
Clicando nele, aparece um pop-up
que sempre te avisa algo útil. Porém, esses pop-ups
às vezes demoram a aparecer, ou aparecem do nada, e você
deu um clique inconsciente na tela para continuar jogando, lá
se foi o seu pop-up,
que poderia conter uma informação importante.
Outro
defeito que em minha opinião está presente é a
falta de informação. Apesar de muitos diálogos e
de muita coisa aparecendo, algumas informações vitais
não foram dadas. E eu demorei um belo tempo para achá-las,
o que tornou, por um tempo, o jogo maçante e parado, pois eu
simplesmente não evoluía no jogo. O sistema de
requerimentos para procriação, por exemplo, eu demorei
muito tempo para descobrir onde ele estava.
E um
grande erro: piñatas voadoras.
Elas em
si não são um erro. Mas, ter que clicar nelas é
sinônimo de frustração.
Simplesmente
não dá. Se elas estão "pousadas" em alguma
casinha de piñata, você não consegue
selecioná-las. E se elas estão voando, o clique não
funciona.
Ou
seja, para procriá-las ou até mesmo para saber se elas
estão felizes é uma tarefa quase impossível.
Conclusão
O
jogo é bastante divertido, e relaxante. O que, sinceramente é
raro hoje em dia. Pessoas estão cada vez mais ocupadas e
jogando menos. Logo, elas procuram jogos mais casuais, que começam
e terminam em um curto espaço de tempo. Prova disso é
que, nesta nova geração, nenhum jogo é,
nem de perto, tão longo quanto inúmeros de Playstation.
Final Fantasy 7,
por exemplo, se você quiser terminar você levará
ao menos 40 horas.
Logo
Viva Piñata é um jogo que dura bastante, que tem uma
curva de interesse crescente, pois sempre há coisas a se
fazer, mas no fundo também pode ser encarado como casual.
Como o
jogo não tem um real objetivo, ele acaba por ser uma ótima
diversão. Você entra, cuida, e pode sair, depois
continuar de onde está.
Definitivamente,
não é um jogo fácil, mas sua dificuldade é
aceitável e crescente, logo você pode se acostumar.
Em
minha opinião, o jogo não é
para crianças. Mas, pelos gráficos serem coloridos e o
jogo divertido acham que é possível que elas evoluam,
em vários sentidos, e ainda aprender alguns valores que o jogo
traz. Talvez algumas se empolguem em jogos no estilo de estratégia,
e possam ser apresentadas a jogos como Civilization
e Age of Empires.
Nas próximas
semanas, falarei de um jogo que demorou muitos anos para ficar
pronto: Prey!
Até lá!
Martin Fabichak (
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) é graduando em Matemática Aplicada Computacional no IME-USP e desenvolve advergames para Webcore Games.
Revisado: GL
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