20-Nov-2008
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Escrito por Martin Fabichak   
02-Fev-2008
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Não sei se alguns de vocês lembram, mas eu tinha prometido falar de Gears of War aqui nesta coluna. Sempre com notas altíssimas em todos sites de review, desde o seu lançamento (em 2006), para Xbox360.

Eis então que eu, em Porto Alegre (enquanto estava na SBGAMES), entro em uma loja eletrônica, e, para minha surpresa, lá estava ele. Nem pensei; comprei na mesma hora.

Vários dias depois, chega meu tão aguardado jogo a minha casa. Logo depois da longuíssima hora de instalação (sim, o jogo demora uma hora pra instalar) eu começo a jogar. Aliás, começo a tentar jogar.

Então meu pesadelo começou. E para meu infortúnio, não foi com os alienígenas Locust do jogo.

Gears of war, desenvolvido pela Epic Games, foi portado para PC pela People Can Fly. Como o jogo é distribuído pela Microsoft Game Studios, o modo multiplayer ficou sendo administrado pela Windows Live. A Live, para quem não conhece, é um portal feito para os jogadores de XBOX360 jogarem online, baixarem demos, conversarem e, além disso, possuem diversas outras "vantagens".

Logo, nada mais natural que eles fazerem a Windows Live, rede que seria exatamente igual para os jogadores Windows.

Então, querendo jogar online, fui me cadastrar na Live. Abriu-se meu navegador, preenchi as várias perguntas inúteis, e, assim que me cadastrei, voltei para o jogo cheio de vontade de matar uns gringos (e também cheio de vontade de dormir, pois a essa altura já era muito tarde).

E para minha surpresa, ao pedir meu CD-Key, eu apertava "submit" e nada acontecia. Não tinha sentido isso. Eu pensei até que meu CD-Key estava errado, ou já estava sendo usado. Frustrado, decidi apenas olhar um pouco do single player.

Ah! Detalhe: para jogar multiplayer, você tem que criar um perfil. Este perfil pode ser local ou na Live, mas mesmo que seja local, ele é usado como se fosse cadastrado na Live. Essa criação de perfil local também não estava funcionando.

No dia seguinte, nada de conseguir cadastrar meu CD-Key. Consegui, ao menos, criar meu perfil local. Animado, joguei por umas três horas seguidas e decidi tentar jogar online mais uma vez. Para isso, saí do jogo, tentei fazer tudo de novo, e acabei desistindo. Resolvi jogar mais um pouco antes de dormir, e, adivinhem: meu save estava perdido.

Minha primeira reação, logicamente depois de ter ficado extremamente nervoso, foi procurar algum fórum. Para minha surpresa, achei facilmente o fórum oficial, e, para meu espanto, diversas pessoas estavam reclamando dos mesmos erros. Muitas mesmo. Ninguém estava conseguindo jogar.

Para falar a verdade, eu fui até sortudo, pois a grande parte das pessoas não conseguia nem entrar no jogo. Dá para imaginar?

Ou seja, eles pegaram um jogo fantástico, e, por detalhes puramente técnicos, frustraram milhares de consumidores.

Procurei patches, falei até com o pessoal da Epic, mas nada resolveu. Com muito pesar no coração, devolvi o jogo.

Então, semana passada, o grande Roger me emprestou o jogo que eu queria fazer o review deste mês, Viva Piñata.

Estava hiper animado, pois queria jogá-lo há um tempo. Mas, ao ler a capa, já me deparei com o aviso: "Games for Windows Live". Já entrei em pânico. Eu sabia que ia ser a mesma coisa, a mesma ladainha, os mesmos bugs, a mesma irritação.

E não é que eu estava certo?
O jogo, depois de instalar, sequer abria. Depois de algumas configurações no Windows, consegui entrar. E, novamente, tive que fazer o meu perfil.

Adivinhem só? Não consegui criá-lo novamente. Dizia que meu disco estava cheio. Obviamente o save não ocupava mais de 10 gigas, então este não era o problema.

Instalei novamente, e nada de funcionar.

Deixa-me ver se entendi. Duas empresas diferentes passam seus jogos de XBOX360 para Windows, e acontece a mesma coisa com os dois?

O pior: deixaram que isso fosse distribuído mundialmente. Claro que você pode pensar: "mas Martin, o problema é do seu computador". Não, não é. Lendo o fórum dos dois jogos, todos estão tendo problemas. Se não é problema em entrar, é problema em salvar, o que também é relacionado a Live.

Mas, pelo menos neste jogo, o final foi mais feliz: tive a maravilhosa idéia de criar outro perfil no Windows, e isso fez com que eu conseguisse jogar. Mas o medo de perder meus saves está aí. Tenho até receio de jogar muito e depois me desapontar.

Após esse desabafo, vamos as piñatas!


Viva!

 

O jogo Viva Piñata está sendo vendido no Brasil na categoria infantil. Este jogo tem gráficos hiper coloridos, temas realmente infantis como cupido, cuidar de bichinhos, mas não se engane, a dificuldade do jogo não tem nada de infantil.

A idéia é simples: você precisa cuidar de uma fazenda na ilha das piñatas. Você pode assentar terra com uma pá, plantar flores e frutos com sementes, e regá-las com um regador.

Na ilha onde você mora, tem alguns "comerciantes". Um deles é responsável por construir coisas, outro é médico, outro vende itens, outro é responsável por trocar mensagens na Live (eca), outro que te dá sementes e tem até um que é um tipo de caçador.

Até aí, simples.

Fazendo algumas coisas, aparecem piñatas selvagens. Por exemplo, assim que você assenta uma boa parte da terra de sua fazenda, você "atrai" uma Whirl, piñata parecida com uma minhoca.

Dependendo de alguns poucos fatores, ela eventualmente gosta da sua fazenda. Assim, ela passa a ficar colorida. A animação dela colorindo é algo simplesmente fantástico.

Logo, aparecem outras piñatas: em forma de coelho, em forma de abelha, de raposa, de borboleta, cavalo, e muitas e muitas outras.

 


Simples, certo? Errado. O jogo começa a ficar complexo.

Há um sistema de romance, onde certos requerimentos precisam ser cumpridos para que você possa "cruzar" duas piñatas. Por ser um jogo com temas infantis, não há distinção entre masculino ou feminino. São, simplesmente, piñatas. Quando elas cruzam, em suas "casinhas", há uma cena de dança. O que é realmente legal, pois é uma dança diferente para cada tipo de pinãta. Para os coelhinhos, por exemplo, acontece uma dança celta. Para os passarinhos, um tango. É super divertido de ver.

Há também o sistema de requisitos para que as piñatas se mudem para seu jardim. Há também o sistema de árvores que crescem, de plantas que precisam ser regadas, de casas a serem construídas para suas piñatas se procriarem, as piñatas ficam doentes, você não pode ter excesso de piñatas, você precisa que elas fiquem felizes, algumas brigam, algumas precisam comer alimentos diferentes, você precisa se preocupar com invasores... ufa!

Como alguém me fala que esse jogo tem como foco exclusivo o público infantil?

Eu duvido que meu priminho de oito anos consiga tocar pra frente, com eficiência, uma fazenda.

Sério mesmo. Quando começa ter muitas piñatas, elas brigam. Você precisa tomar várias e várias decisões. Decisões difíceis. Você precisa que algumas delas morram para que você consiga trazer outras para a fazenda. Você precisa vender algumas para ter dinheiro, mas sempre pensando que elas podem dar filhotes, também valiosos. Mas para elas procriarem, você precisa geralmente cumprir requisitos, muitas vezes caros.

Não é fácil. Ainda mais com alguns bugs extremamente chatos.

 

 

Graficamente falando

 

Já dei uma boa noção do jogo. Se alguém aqui já conhecia o jogo e achava que ele era muito fácil ou muito infantil, talvez tenha até repensado (eu espero) e tenha até pensado em desembolsar uma graninha.

Mas saiba que o jogo é exigente.

Graficamente falando, ele é bem exigente. Suas cores, talvez a maior fonte de preconceito contra esse grande título, exigem cada bit de memória da sua placa de vídeo. Como todas as piñatas são renderizadas (exibidas na tela) toda hora, ou seja, a placa de vídeo precisa computar exatamente as cores que as piñatas vão ter, levando em conta a distância da câmera, das luzes, computando-as várias vezes por segundo, o jogo fica pesado. Se você somar isso ao sistema de sombra extremamente eficaz , sem contar em computar a inteligência artificial de cada um deles, temos um jogo que utilizará todo o poder de seu processador, tanto do gráfico quanto o do seu computador.

Claro que não é nenhum Crysis, mas aposto que fazer as cores das piñatas e seu "Fur" (efeito de pêlos) que você pode ver em todas as fotos que eu já mostrei, não foi tarefa fácil.

Em questões sonoras, o jogo não é nada de mais. Há locução, o que aumenta um pouco a interatividade do jogo. Mas claro que para quem sabe inglês. Fora isso, os sons das piñatas são até meio chatos e repetitivos. O jogo não tem músicas rolando, a maior parte do tempo. Um jogo desses poderia ter muito mais interatividade se tivesse sons mais legais.

Defeitos

 

Fora os erros já mencionados, as pessoas que de fato conseguirem instalar e jogar Viva Piñata ainda vão ter que se deparar com alguns erros.

Alguns desses erros são culpa, provavelmente, do port (port folio???) mal feito. Outros, creio eu, são até de conceito.

Por exemplo. No jogo aparecem diversos avisos no canto inferior direito. Clicando nele, aparece um pop-up que sempre te avisa algo útil. Porém, esses pop-ups às vezes demoram a aparecer, ou aparecem do nada, e você deu um clique inconsciente na tela para continuar jogando, lá se foi o seu pop-up, que poderia conter uma informação importante.

Outro defeito que em minha opinião está presente é a falta de informação. Apesar de muitos diálogos e de muita coisa aparecendo, algumas informações vitais não foram dadas. E eu demorei um belo tempo para achá-las, o que tornou, por um tempo, o jogo maçante e parado, pois eu simplesmente não evoluía no jogo. O sistema de requerimentos para procriação, por exemplo, eu demorei muito tempo para descobrir onde ele estava.

E um grande erro: piñatas voadoras.

Elas em si não são um erro. Mas, ter que clicar nelas é sinônimo de frustração.

Simplesmente não dá. Se elas estão "pousadas" em alguma casinha de piñata, você não consegue selecioná-las. E se elas estão voando, o clique não funciona.

Ou seja, para procriá-las ou até mesmo para saber se elas estão felizes é uma tarefa quase impossível.

Conclusão

 

O jogo é bastante divertido, e relaxante. O que, sinceramente é raro hoje em dia. Pessoas estão cada vez mais ocupadas e jogando menos. Logo, elas procuram jogos mais casuais, que começam e terminam em um curto espaço de tempo. Prova disso é que, nesta nova geração, nenhum jogo é, nem de perto, tão longo quanto inúmeros de Playstation. Final Fantasy 7, por exemplo, se você quiser terminar você levará ao menos 40 horas.

Logo Viva Piñata é um jogo que dura bastante, que tem uma curva de interesse crescente, pois sempre há coisas a se fazer, mas no fundo também pode ser encarado como casual.

Como o jogo não tem um real objetivo, ele acaba por ser uma ótima diversão. Você entra, cuida, e pode sair, depois continuar de onde está.

Definitivamente, não é um jogo fácil, mas sua dificuldade é aceitável e crescente, logo você pode se acostumar.

Em minha opinião, o jogo não é para crianças. Mas, pelos gráficos serem coloridos e o jogo divertido acham que é possível que elas evoluam, em vários sentidos, e ainda aprender alguns valores que o jogo traz. Talvez algumas se empolguem em jogos no estilo de estratégia, e possam ser apresentadas a jogos como Civilization e Age of Empires.

 

Nas próximas semanas, falarei de um jogo que demorou muitos anos para ficar pronto: Prey!

Até lá!


Martin Fabichak ( \n Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email ) é graduando em Matemática Aplicada Computacional no IME-USP e desenvolve advergames para Webcore Games

 

 

  Revisado: GL


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Comentários (1)Add Comment
Triste
Por Raphael Santos, 09 de fevereiro de 2008
Ports da Microsoft pra PC, além de atrasarem anos, sempre são um fiasco, vide Halo

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Atualizado em ( 06-Fev-2008 )
 
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