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Quem conhece a programação de verão do Sesc-SP, atesta e confirma a sua qualidade. São centenas de atividades espalhadas por todas as unidades, do arborismo à dança, e agora com uma novidade: videogames!
Com o slogan "O verão chegou, é hora de suar a camisa", o Sesc-SP convidou a todos a participarem de seu programa de verão, este ano com o tema "Esporte e Comunidade". Ainda segundo o site da reconhecida instituição, "...o SESCSP propõe a prática da atividade físico-esportiva do indivíduo e a mobilização da comunidade em prol da saúde, do lazer e do convívio social" (o grifo é nosso).
É claro que nós, aqui na Gamecultura, assim que vimos essa chamada, percebemos que essa descrição tinha tudo a ver com video games. Isso mesmo, com video games! E não é que para nosso espanto, a coordenação da Internet Livre do Sesc Itaquera também achou!
O conceito de esportes é bastante amplo e às vezes também discutível. Desde o xadrez visto como um esporte mental até mesmo a Associação de Air Guitar [1] na Alemanha, como um esporte federado, muito pode ser discutido sobre o esporte, a sua prática e a sua cultura. Afinal, o que faz de um esporte, um esporte? Como ele consegue ser tão abrangente a ponto de ser estudado não apenas nas ciências da saúde, mas também nas sociais, filosofia, cultura e até mesmo nas exatas? E finalmente, porque os videogames são mantidos tão aparte dos esportes?
O ano de 2007 certamente vai ficar marcado pela explosão da plataforma Nintendo Wii. Um aparelho de video game que nadou contra a corrente em termos de gráficos, sons, rede, e tudo o mais que as plataformas concorrentes investiram. Apostando no fator de diversão, na utilização do corpo como interface e do público casual que vinha sendo esquecido em favor dos jogadores mais aficcionados, a Nintendo deu a volta por cima e retornou ao mercado como a empresa especialista em diversão, como todos conhecemos nas plataformas de 8 e 16 bits, depois perdendo seu espaço para os aparelhos de nova geração de gráficos 3D, como o Playstation da Sony e o Xbox da Microsoft.
Com o sucesso reconhecido do Wii não só frente às famílias de jogadores de três a 80 anos, mas também em academias e até mesmo em casas de repouso, não foi difícil mostrar a relação do video game com o público esportivo, ainda mais com os jogos do título Wii Sports, notadamente tênis, boliche e boxe. Uma atividade com o público da Terceira Idade já havia acontecido na programação dedicada chamada Sarau Digital, na mesma unidade, o Sesc Itaquera, há uns seis meses antes. Mas nós queríamos mais do que apenas Wii Sports.
Para nós, que entendemos o game como uma poderosa forma de cultura, procuramos enxergar no esporte e principalmente na cultura do esporte, muito mais do que suar a camisa. As escolinhas de futebol e vôlei, por exemplo, são reconhecidas como uma forma muito eficiente de tirar crianças da rua, e mais que isso, mantê-las afastadas ao possibilitá-las como seres sociáveis que sabem atuar em equipe, com responsabilidade e respeito pelo próximo. E como todos sabemos, o Sesc tem se utilizado muito bem do esporte com essa função social.
Mas vamos ainda além e vamos aos esportes menos difundidos, como a ginástica olímpica, o xadrez e a esgrima. Tais esportes não tem um apelo de equipe tão aparente, embora é claro que ele exista, mas tem notadamente visíveis as figuras do juiz, da predição e do adversário, respectivamente. Nesses esportes o objetivo da superação pessoal, assim como a busca da precisão, da sincronia entre corpo e mente, da busca de conhecimento técnico e teórico levam o seu praticante a longas jornadas de treinamento, desafios e satisfação pessoal. Desde a busca da alimentação ideal até a organização de sua agenda pessoal frente a desafios muitas vezes auto-impostos, tais práticas auto-regulativas não divergem muito do treinamento dedicado de um músico ou mesmo de um filósofo. Assim, entendemos video games de música, ritmo e dança, tão próximos e tão semelhantes ao esporte.
Se em seu aspecto formal tais video games – e mesmo outros jogos como os jogos de tiro – em nada se assemelham ao suar a camisa ou ao vestiário descontraído, os aspectos metodológicos para a obtenção de bons resultados são extremamente parecidos. Quem já acompanhou de perto o treinamento intenso de cyber-atletas ou pro gamers, como os nossos jovens jogadores de Counter Strike, que viajam o mundo trazendo importantes títulos para o seu mal-agradecido país [2], vê na rotina desses jovens, seus psicólogos, nutricionistas, técnicos, consultores, patrocinadores e investidores, um nível de organização e treinamento similar a uma Fórmula I, mantendo, obviamente, as devidas proporções. É comum no resto do mundo observarmos times de pro gamers competindo por seus países, escolas, universidades e empresas, com camisetas repletas de propagandas, como acontece em bem menor escala com alguns times brasileiros. Nesse momento o esporte torna-se próximo da indústria, e a indústria dos video games próxima do esporte.
Assim, a equipe de programação de Internet livre do Sesc Itaquera, na figura de Kao, o seu técnico responsável que acabou de conquistar o seu título de Especialista em Mídias Interativas, aprovaram junto ao Wii Sports, outros video games de performance corporal que temos o prazer de levar à população de freqüentadores dessa unidade, dentro da programação Sesc Verão 2008: Guitar Hero, Donkey Konga, DDRs e Pump.
Para quem não conhece, Guitar Hero e Donkey Konga são jogos musicais, que dependem de treinamento árduo, muita concentração, velocidade de leitura e resposta motora. São simuladores musicais que dão a impressão de que o jogador está tocando um instrumento de verdade, nesses casos guitarras e baixos de rock´n roll, ou tambores de música latina. Nós da Gamecultura, presentes em cada momento, acrescentamos ainda a necessidade de uma performance corporal, como vista nos videoclipes e shows de rock, e uma criatividade que vão além do que o jogo pode oferecer.
Com o fator de criatividade aliado a prática, competição e colaboração, trouxemos ainda os famosos tapetes de dança em dois formatos: DDR, para quatro posições, e o Pump, para cinco posições. Tais aparatos e tipos de jogos são ainda aliados a dois estilos diferentes de dança em games: o stepper ou perfect attack, que busca velocidade e pontuação máxima, e o freestyler, que busca a criatividade, a performance, a riqueza de movimentos e até malabarismos. Os jogadores especialistas nesses jogos, Kurt (stepper) e Gordão (freestyler) estiveram esclarecendo e instruindo os freqüentadores do Sesc Itaquera quanto às possibilidades de diversão, saúde e treinamento esportivo associada a esses games, enquanto o mestrando em Design e Cognição, Felipe Neves, traz a democratização desses jogos proprietários através do software livre Stepmania, com conteúdo produzido por nós para o carnaval dentro da sala de Internet: marchinhas de carnaval de 70 anos atrás, em tapetes de DDR.
Dessa maneira, além de ampliar o conceito de video games, trazendo-os próximo à prática e a cultura desportiva, desmistificamos e democratizamos seu conteúdo, trouxemos informação e conhecimento a essa comunidade e ainda por cima trouxemos o baile de carnaval que acontecia do lado de fora, para o espaço dos computadores, diminuindo assim preconceitos infundados como que o usuário de mídias digitais não se envolve com outras manifestações culturais, não pratica esportes e não sabe viver em comunidade. É maravilhoso ver famílias inteiras, amigos e desconhecidos jogando, tocando e dançando colaborativamente e também competitivamente, claro. Se ajudando e se divertindo em uma sala com mais de 40 computadores, video games, telões e aparelhos de som. Quem quiser sentir um pouco desse gostinho, pode olhar no nosso álbum de fotos. Dá até pra ficar emocionado.
Nós da Gamecultura agradecemos ao Sesc-SP por mais essa oportunidade de diminuir o preconceito com os video games, trazendo informação e conhecimento às pessoas, que muitas vezes ficam a mercê de uma mídia consumista que tem a função de apenas vender os jogos, sem se importar com as coisas boas e também as ruins, trazidas por eles.
Por enquanto ainda estamos relegados ao espaço das salas de computadores, mas nosso objetivo, em breve, muito breve, é trazer nossos games para o convívio social em vários outros espaços, como a cantina, as ruas, e até nas piscinas.
Este texto é dedicado a todos aqueles que pesquisam a relação dos esportes com os videogames, em especial a um alerta que recebi recentemente de quanto esse tipo de pesquisa ainda é incompreendida.
Vejam alguns momentos do evento no videoclipe abaixo:
Notas:
[1] Aqueles campeonatos performáticos nos quais os participantes fazem de conta que estão tocando uma guitarra invisível. Nunca viu isso? Nem no YouTube?
[2] Referência que faço a atual proibição desse jogo entre nossos jovens, que são mais uma vez afastados de sua cidadania global e colonizadamente proibidos de competir em condições de igualdade com o resto do mundo.
Revisado: AM
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Assim como os usuários do Game Cultura, busco intensamente mostrar o lado positivo dos games e essa materia só fez nosso artesanal crescer e dar ainda mais ânimo a nós, soldados que buscam provar que videogame e Educação Física são sinônimos! Estou defendendo tal tese em minha cloncusão de curso e o Roger Tavares a pessoa que me faz ter esperança de continuar apesar das críticas vindas de colegas e professores. O melhor de tudo é que toda essa sabedoria dos games vem de um brasileiro (já paguei muita gente pra traduzir artigos em ingles) e está tão próximo de nosso ideial, buscando mostrar que o videogame tem seu valor! Amém!