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Vocês se lembram de quando falei que faria a próxima coluna da Game Techs sobre o Prey? Pois bem, entrando no Steam me deparei com uma propaganda:
"Surf your Music" – Audiosurf
Não contente em ir jogar Counter-Strike, entrei na propaganda, li o review e já desembolsei dez dólares, sem nem jogar o demo. Não precisava, o único vídeo do jogo que eu tinha visto já me dizia que esta seria uma ótima aquisição.
Para aqueles que não estão familiarizados, o Steam é uma plataforma de download pago de jogos. Ele tem uma estrutura especial para jogos multiplayer, onde você pode facilmente procurar novas salas para se juntar. Atualmente o Steam tem muito conteúdo, inclusive grátis, e tem apostado bastante em jogos casuais.
Depois de esperar algumas horas para baixar todo o jogo, já sabia que que este review não seria do Prey.
Surfando!
Explicar o que é este jogo é fácil. Agora, explicar como é jogar este jogo é praticamente impossível.
Basicamente, você escolhe qualquer música que você possui. Pode ser algum CD que você tem ou até mesmo um mp3. Assim que selecionada, a música é processada pelo jogo. Em poucos segundos é gerada uma montanha-russa (este é o termo utilizado dentro do jogo) da sua música. Este é o percurso que você irá fazer.
Montanha-russa vista de longe
Assim que você começa a jogar, você controla uma nave que está em uma pista com três divisões. Pela frente, há blocos de diferentes cores. Seu objetivo é juntar pelo menos três desses blocos de forma que eles se toquem. Quando isso acontecer, eles somem e você ganha pontos.
Quando mais blocos houver no momento do toque, mais pontos você ganha. Blocos com cores mais fortes rendem mais pontos e, além disso, há alguns blocos especiais, que tingem os outros de alguma cor ou embaralham todas as cores da melhor maneira possível.
Há também três níveis de dificuldade que são escolhidos de acordo com a escolha da sua nave, antes de começar a música. Há diversas naves em cada um desses níveis e cada uma possui uma habilidade diferente.
Mas o que torna esse jogo tão divertido?
Análise de uma música
A grande sacada e, para ser honesto, o grande motivo do sucesso (e talvez da idéia) do jogo é a capacidade de o jogo “ler” as ondas sonoras de qualquer música e criar a montanha-russa. E, sempre que o jogo ler a mesma música, será dada a mesma montanha-russa.
Olhe só a diferença dos espectros das músicas.
A segunda música acima apresentada é do System Of A Down, enquanto a primeira é da Alanis Morrisette, como vemos nas legendas. Quem conhece a música Cigaro sabe que esta é uma música bem rápida. Já a segunda é bem calma. Note, então, a diferença entre as montanhas-russas acima. Enquanto uma apenas desce, a outra praticamente só sobe.
Funciona mais ou menos assim: trechos rápidos se refletem em uma descida brusca, com predominância de cores fortes e mais túneis, que aparecem nesses momentos. Trechos lentos se refletem em subidas, com cores mais frias, e a nave vai mais devagar.
Logo, como muitos devem ter pensado, músicas que tem trechos rápidos e lentos são bem interessantes e emocionantes de se jogar.
Gráficos
Apesar de já ter falado de jogos infinitamente mais complexos, com gráficos realistas, Audiosurf tem o gráfico simples como deveria ter. Mas isso não o torna menos atrativo do que grandes títulos. O simples fundo preto tem milhares de faixas que brilham e mudam de cor conforme a música toca. Milhares de fogos de artifício explodem, inúmeros efeitos de cor acontecem. E você ainda tem a opção de mudar bastante a cara do jogo, mudando o seu shader.
Shaders
Shaders são instruções de um software (neste caso, nosso jogo) que é usado para processar os gráficos do jogo, ou em uma terminologia mais exata, renderizar o jogo.
Shaders nada mais são do que modos diferentes de a placa gráfica processar a informação que está recebendo, exibindo uma imagem de uma forma diferente.
Tome, por exemplo, esta imagem:
O jogo acima se chama Okami, e foi feito para o PS2.
Os gráficos deste título não foram feitos desta maneira. Os modelos 3Ds, os modelos de cenário não foram feitos assim, com esta forma cartunesca, com estas cores. Eles foram feitos normalmente e, quando foram renderizados pelos artistas, foi aplicado um shader conhecido como cel shading (mas é claro que os modeladores devem ter usado técnicas para facilitar sua aplicação). Este estilo de arte também foi usado em diversos outros títulos, como Zelda: Wind Waker ou Viewtiful Joe.
No Audiosurf você pode alterar esses shaders no menu, mudando então todos os gráficos do jogo. Obviamente, isso não foi o foco dos desenvolvedores, mas esse detalhe traz uma qualidade ainda maior para o título, sem contar que grandes desenvolvedores podem se inspirar nesta idéia algum dia.
Quanto aos sons, logicamente o que traz a graça do jogo são as músicas que você escolhe. Mas, os efeitos sonoros não deixam a desejar e fazem com que o jogo seja mais imersivo.
Conclusão
Audiosurf é aquela idéia que eu aposto que muita gente já teve, mas foi necessário tempo e paixão para realizá-la. (Estou dizendo isso pois todo Audiosurf foi programado por praticamente uma pessoa. Ou seja, não foi necessário monstruosos investimentos nele).
Esse título também prova que jogos baratos, em meios de distribuições abrangentes dão certo, são rentáveis e tem um ótimo público. Como já citei em outro texto que fiz para a coluna, jogos casuais estão cada dia fazendo mais sucesso. Meios de distribuições como o Steam podem ser também o futuro tanto para os desenvolvedores quanto para os consumidores.
Outra coisa que é notável é que o projeto não foi abandonado. Há como fazer pedidos de alteração no site oficial, notificar erros, e até mesmo discutir quais músicas são mais legais de serem jogadas. E o pessoal que fez o jogo responde mesmo!
Para aqueles que ficaram pelo menos curiosos, basta baixar o Steam em seu site oficial (http://www.steampowered.com), instalar e procurar o AudioSurf em seu sistema de busca. A partir daí, pode ser baixado a versão demo. Mas, cuidado: se você fizer isso, garanto que vai comprá-lo!
Revisado: LM
Martin Fabichak (e-mail) é graduando em Matemática Aplicada Computacional no IME-USP e desenvolve advergames para Webcore Games. Mais informações sobre o autor em www.extendsmartin.com.
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