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Há
25 anos David Crane lançou o clássico Pitfall, game que não era apenas
divertido de jogar, mas que também ajudou a criar alguns dos fundamentos ainda
hoje presente nos jogos.
A febre foi tão grande em torno do lançamento, que o jogo ficou no topo da lista da Billboard por 64 semanas consecutivas!
Mas vamos por partes:
Crane
era um dos jovens e brilhantes programadores de jogos na primeira fase
da Atari. Na verdade, o rapaz começou ainda antes, criando seu primeiro
jogo eletrônico, um jogo da velha, para a escola, aos 17 anos.
"Olhando
para trás, game design parece um caminho natural, embora não houvesse
tal coisa quando eu estava crescendo", conta modestamente o designer,
em entrevista disponível no site Good Deal Games. "Eu era uma esponja de tecnologia e adorava usar cada nova coisa que aprendia em algum hobby ou outro."
Bem,
com a venda da Atari para o grupo Warner, o foco da empresa, até então a
pesquisa e o desenvolvimento de jogos, migrou para uma visão de
marketing e vendas, com muitas outras mudanças ligadas à disciplina e
segurança. Houve grande descontentamento e muitos engenheiros, chamados
de "prima donnas" por Ray Kassar (o poderoso chefão da nova Atari),
deixaram a empresa.
David Crane juntou-se aos também ex-funcionários
da Atari Allan Miller, Bob Whitehead e Larry Kaplan e fundou a
Activision, que passou a fornecer games para a empresa. "Saímos com as
mãos abanando e fizemos engenharia reversa no 2600 para todas as
informações técnicas que precisamos!", afirma o designer, sem remorsos.
Pitfall estabeleceu um novo conceito de jogo.
Além
da engenhosidade de David Crane em criar um personagem que pulasse,
corresse e conseguisse transpor desafios, o jogo foi a primeira
aventura com animação colorida de sprites (arquivos móveis em um
ambiente virtual fixo) que não "flicava", isto é, não tremia nem perdia
momentaneamente a imagem, mesmo em um hardware tão limitado como o VCS
2600. O jogo também foi o primeiro do tipo plataforma, isto é, em que
o pesonagem salta em diferentes níveis.
Este princípio de jogabilidade
seria largamente utilizado em jogos futuros, como Mickey: Castle of
Illusion, Super Mario, Sonic, Tomb Raider e outros clássicos.
Pitfall
Harry, o personagem da aventura, emitia um característico grito de
Tarzan, toda vez que usava o cipó para fugir dos crocodilos.
Se você sente saudades do jogo, pode fazer o download de Pitfall II, re-escrito por Woldron para PC neste link.
Caso você não seja deste planeta e não saiba o que é Pitfall, veja o link para o breve vídeo com o jogo no Youtube. Se quiser conhecer uma versão do jogo feita em formato de tabuleiro, dê uma olhada em Pitfall Board Game; veja as artes e leia as instruções.
Kao Cyber é especialista em Mídias Interativas pelo Senac-SP, coordenador de programação do Sesc Itaquera, e faz o blog Retro Games Brasil, com seu sensacional conteúdo de game design retrô, agora publicado sob permissão aqui na Gamecultura.
Conheça o conteúdo integral em Retrô Games Brasil - Game Design do Milênio Passado.
Revisado: AM
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